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Restaurada recentemente, a imagem da padroeira da Paróquia do bairro de Campinas, Nossa Senhora da Conceição, além de seu inestimável significado para a devoção dos paroquianos, é um exemplo da preciosa arte sacra produzida em Goiás durante o século XIX.
 
O autor da peça foi José Joaquim da Veiga Valle.Não se  sabe quando a imagem chegou à igreja, mas certamente ocorreu antes de 1874, quando o artista faleceu na antiga Vila Boa, hoje Cidade de Goiás. Veiga Valle  nasceu em Pirenópolis, na época chamada de Arraial de Meia Ponte, em 1806. Filho de família importante na vida social e política do Estado, foi vereador, deputado provincial, juiz e recebeu diversas comendas, como alferes e major da Guarda Nacional.
 
Porém, a atração exercida pela escultura foi mais forte que as honrarias dos cargos, levando o jovem artista a realizar uma volumosa obra, que, segundo Elder  Camargo Passos, maior pesquisador da vida do santeiro, somam mais de 200 peças. As suas peças foram esculpidas em madeira, principalmente o cedro. Veiga  Valle desenvolveu um processo próprio para evitar rachaduras e ação de insetos, chamado “encarnação”, que consiste em recobrir as esculturas com pequenas  camadas de gesso e argila, e uma nova camada de douração e finalmente a pintura que, quando raspada com delicados instrumentos, revela os sutis detalhes dos filetes dourados.uma outra característica do trabalho do artista foi o tratamento e forma que deu às dobras do manto, por meio de cavidades feitas com a goiva, que  lembram o aspecto de bainhas côncavas de folhas vegetais.

Segundo Elder Passos, na trajetória de santeiro, o artista produziu uma diversidade imensa dos mais variados santos, que na época se expressava conforme a  devoção de cada pessoa que os encomendava. “Destacam-se as madonas, representadas por Nossa Senhora da Conceição, D’Abadia, dos Remédios, das Dores,  da Penha, do Bom Parto, das Mercês, da Guia, do Carmo, do Rosário, da Natividade e outros mais”. Destaca-se também, a famosa imagem do Divino Pai Eterno, venerada no Santuário- -Basílica de Trindade. hoje, Veiga Valle é reconhecido como um dos mais importantes vultos da arte sacra do Brasil no século XIX, com  intensa referência bibliográfica e farto material de divulgação de seu trabalho.

Em 1954, o professor Luiz Curado afirmou em um artigo: “Se não ousamos afirmar ter sido Veiga Valle um gênio, pelo menos, temos que admitir que possuía uma  fecunda inspiração genial, palpitante em suas obras. Seria mesmo mais acertado – um inspirado – que um autodidata.” Sua produção se espalhou por igrejas e  casas de família, disseminando-se principalmente pelos Estados de Goiás e Mato Grosso. Os trabalhos podem ser facilmente reconhecidos pelo estilo, formas e  cores, que segundo os estudiosos escapa ao anonimato que existe na arte sacra. A atividade artística de Veiga Valle ocorreu entre 1820 e 1873. Ele teve que  interromper a produção de suas obras por conta de uma doença que o levou à morte, aos 68 anos, em 29 de janeiro de 1874, em sua casa, no Largo do Rosário, na Cidade de Goiás.

IR. DIEGO JOAQUIM, C.SS.R.
Editor Jornal Matriz

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